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O cérebro da criança Parte 3

Entendendo as birras e aprendendo a tomar decisões de qualidade

Dando sequência ao resumo das ideias do livro “O cérebro da criança”, de Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson, vamos abordar uma habilidade das mais importantes que podemos ensinar às nossas crianças: tomar boas decisões em situações de grande emoção, como acontecem durante um conflito.
Para isso, é necessário que entendamos o que os autores do livro chamam de “os 2 andares” do cérebro.

As emoções fortes, o instinto, as funções corporais – necessidades básicas – são atendidas no andar de baixo do cérebro.
Já a tomada de decisão, o controle sobre as emoções, a empatia, a moralidade, são funções atendidas no andar de cima do cérebro.
O “andar de cima” se desenvolve lentamente e leva anos até chegar à maturidade. Portanto, uma dica muito importante é que você não espere que seu filho seja capaz de executar todas as funções descritas acima o tempo todo!
Além disso, devemos lembrar que, em nosso cérebro, existe a grande “sequestradora” das ações regidas pelo andar de cima: a amígdala.
Então, o que se deve fazer em momentos de estresse, birra… quando a amígdala impede o andar de baixo de se conectar com o de cima????
Em primeiro lugar, deve-se identificar se a birra está acontecendo no andar de cima (a criança tem ciência do que quer e faz um escândalo para conseguir) ou o ataque está acontecendo no andar de baixo, e a criança está tão perturbada que não consegue mais acessar o andar de cima, regulador das emoções.
Depois de identificar a causa da birra, lembrar que a birra do andar de cima exige limites e uma discussão clara sobre comportamentos adequados e inadequados.
Já a birra do andar de baixo pede que se tranquilize a criança e desvie a atenção dela para outra coisa até que ela esteja conectada com você e o cérebro do andar de cima esteja pronto para voltar à cena. Então, será o momento de usar a lógica e a razão para a resolução do conflito.
O sonho de todo pai/mãe é que seus filhos se tornem pessoas fortes, complacentes, compassivas, respeitosas e amorosas. No entanto, é um pouco cedo esperar isso de quem mal aprendeu a amarrar os sapatos!
Porém, podemos preparar nossos filhos para se tornarem protagonistas de suas próprias vidas e prosperarem desde a mais tenra infância. Nosso trabalho, então, será o de estimular nossos filhos a tomarem decisões de qualidade.

E como podemos fazer isso?

Em primeiro lugar, proporcionando a eles oportunidades de tomarem decisões por si mesmos.
Para os pequenos, isso pode ser escolhendo a cor dos sapatos a usar, e, para os mais velhos, o recebimento e gerenciamento da mesada. A ideia por trás disso é deixar o filho enfrentar a decisão e viver com as consequências dela
Também é importante estimular nossos filhos a controlarem as emoções do corpo. E para isso podemos ensinar técnicas para se acalmarem tais como: contar até 10, respirar fundo, socar uma almofada, desenhar como se sente, rabiscar um papel.
Para que eles aprendam a compreender o mundo à sua volta, é importante estimulá-los à autocompreensão perguntando, por exemplo, as razões para uma escolha que tenham feito.
Quanto mais as crianças pensarem no que está acontecendo dentro de si, mais desenvolverão a capacidade de compreender e reagir ao que está ocorrendo no mundo e ao redor delas.

E como podemos estimular nossos filhos à empatia?

Fazendo perguntas simples que estimulam a considerar o sentimento do outro. Por exemplo, ao ouvir um bebê chorando em um restaurante, perguntar: “Por que você acha que aquele bebê está chorando”?
Ao assistir um desenho animado com seu filho, você pode perguntar como ele acha que tal personagem está se sentindo agora nessa situação tal? Quanto mais experiências de pensar nos outros forem proporcionadas ao cérebro do andar de cima da criança, mais ela será capaz de sentir compaixão!

E a questão moral? Devemos nos lembrar que o maior estímulo que nossos filhos podem receber sobre a moralidade de um ato é o nosso próprio exemplo. Portanto é sempre bom perguntar-se: “Quais os valores que eu prego em minha casa/escola?” “Quais deles eu pratico?”
Finalmente, para exercitar o cérebro da parte de cima, o movimento físico tem se mostrado muito eficaz. Pesquisas têm demonstrado que o movimento do corpo afeta diretamente a química do cérebro. Portanto, controle de respiração, uma corrida, alguns polichinelos, poderão “oxigenar” o cérebro e ajudar na sua integração!!!
A tarefa de educar uma criança é exigente e custosa. Por isso mesmo, poderemos estar “à beira de um ataque de nervos” no meio do caminho. Então, é muito importante que lancemos mão desses recursos para nossa própria saúde mental. Afinal, servirão para nosso próprio bem e de nossa família!!!


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